Thursday, November 23, 2006

a pasear el cuerpo por otros parajes

Thursday, November 09, 2006

un opio para los corazones: Alda Lara

Presença Africana

E apesar de tudo,
ainda sou a mesma!
Livre esguia,
filha eterna de quanta rebeldia
me sagrou,
Mãe-África!
Mãe forte da floresta e do deserto,
ainda sou, a Irmã-Mulher
de tudo o que em ti vibra
puro e incerto...
A dos coqueiros,
de cabeleiras verdes
e corpos arrojados
sobre o azul...
A do dendêm
nascendo dos abraços das palmeiras...

A do sol bom, mordendo
chão das Ingombotas...
A das acácias rubras,
salpicando de sangue as avenidas,
longas e floridas...

Sim!, ainda sou a mesma.
A do amor transbordando
pelos carregadores do cais
suados e confusos,
pelos bairros imundos e dormentes
(Rua 11! ... Rua 11...)
pelos meninos
de barriga inchada e olhos fundos...

Sem dores nem alegrias,
de tronco nu e musculoso,
a raça escreve a prumo,
a força deste dia...

E eu revendo ainda, e sempre, nela,
aquela
longa história inconsequente...

Minha terra...
Minha, eternamente ...

Terra das acácias, dos dongos,
dos colios baloiçando, mansamente...
Terra!
Ainda sou a mesma.

Ainda sou a que num canto novo
pura e livre
me levanto,
ao aceno do teu povo!


Alda Lara (Poeta angolana, 1930-1962)

Wednesday, November 01, 2006

divertimento para cobardes

no será divertido
el 1 de diciembre en México


hay días que el ambiente
se siente sepulcral
-no festivo como en día de muertos-
sepulcral como después de un terremoto
sepulcral como las manchas solitarias
de sangre en una plaza

como sirenas de la cruz roja
rompiendo la tarde callada

no será divertido
ese silencio congrecista
que abanderará a un hombre
aferrado a ser estampita de papelería
foto de libro de texto
historia de la traición